Fotos Lula Castelo Branco


Formado em Jornalismo, Lula Castelo Branco ao longo de sua trajetória tem sido de tudo um pouco e, além poeta, produtor e agitador cultural e tendo enveredado pelo foto-jornalismo, tem sido através deste oficio que ele, ao longo dos anos e nos intervalos de suas andanças e nos momentos de suspensão da objetividade instrumental do ofício, tem fragado imagens coloquiais de cenas alagoanas a contrapelo das imagens centrais.  Neste sentido, em suas imagens de Lula se percebe um olhar atento e precioso para as alegorias de imagens genuinamente alagoanas e, enquanto tais, fora de rota dos itinerários do imaginário de Sol e Mar.s imagens de Lula Castelo Branco, um apanhado das alegorias por dentre os estranhamentos das águas lacustres.
          As imagens de Lula são imagens de fuga de seu ofício de foto jornalista, e, através delas o que se expõe não são imagens do cotidiano enquanto flashes do trivial de coisas comuns.  Pelo contrário, o que através delas se revela, são fragmentos, detalhes que somente se mostram aos olhares desfocados dos espaços centrais e atentos para às imagens perifericas das geografias das margens.
            Neste entendimento, as imagens de Lula são registros de um olhar desfocado das imagens centrais, escritas a contrapelo e nelas, os testemunhos das margens: o antigo Porto do Sururu nas beiradas lacustre de Santa Luzia, antiga rota dos escravos em suas travessias à Palmares; ou, o Sol Distante como que uma trilha de fuga no final do rastro das águas, ou ainda, a cidade de Maceió como que Nascendo das águas e também, a secular e majestosa cidade de Pilar vista do alto. Na verdade, imagens raras e imperceptíveis aos que se apressam no mirar os movimentos. Também no enquadramento das margens, os fragmentos da Lagoa do Ninquím por dentre os coqueiros quase que escondida enquanto um recanto oculto nas entranhas da (hoje) cidade balneário de Barra de São Miguel.
            Para além das geografias, no humano das imagens de Lula, o registro dos negros alagoanos, os negros encantados de Jorge de Lima com seus tipos populares espalhados nas escritas de Calunga, um romance repleto de tipos humanos tipicamente alagoanos e alimentados por sururus e maçunins nos entranhados das geografias lacustres. É justamente neste enquadramento que Lula moldura os movimentos dos Meninos Negros ou ainda, no ontológico registro do Catador de Sururu nas beiras da Mundaú, um testemunho de um saber secular dos pobres habitantes das beiras da lagoa.  E finalmente, compondo o somatório dos registros, o Berço das Canoas, as imagens da igreja de Nossa Senhora de Siracusa e o enquadramento de Canoas Descansadas sob um lacustre azul da Manguaba nas beiradas da cidade do Pilar, como se fosse possível também ali, senão o mar, as cores de seus  rastros.


Clique nas imagens para ampliá-las.

Lula Castelo Branco
Porto de Sururu


Sol Distante


Nascendo das águas


Pilar visto do alto


Lagoa do Nanquim


Meninos negros


Catador de sururu


Berço de canoas


Nossa Senhora de Siracusa


Canoas descansadas

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4 comentários:

Equipe Redeck disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristina Lyra disse...

Fotos belíssimas, blog lindo e funcional. Parabéns!

Tiágo Gomes Redeck disse...

Ótimo trabalho, as imagens são realmente bem interessantes e mostram a realidade cultural de Alagoas, uma realidade que como o senhor falou esta sendo apagada pela cultura de massa.

Anônimo disse...

Fico fascinado ao ver a nossa cultura expressa na delicadeza de cada fotografia que traz em si um leque de expectativas que se resume numa simples e não tão menos importante visão de um historiador>"